domingo, 30 de novembro de 2008

A difícil arte das novas idéias

Há muitos anos um esquimó de uma aldeia da Groelândia trabalhou numa importante expedição exploratória ao Pólo Norte. Como recompensa pelo excelente serviço prestado, o esquimó foi levado a conhecer Nova Iorque.
O nativo deslumbrou-se.
Para quem nunca saíra de sua aldeia gelada, aquele espetáculo de luzes, arranha-céus, sons, deixou-o extremamente fascinado.
Alguns dias depois, ao voltar para casa, tentou descrever a exuberância do que viu. Pontes imensas, veículos sem tração, luzes coloridas, prédios que se perdiam no céu. . .
O pessoal da aldeia ouvia a história, mas mantinha olhar frio, ar de incredulidade. Não acreditavam em uma só palavra dita pelo companheiro.
Por isso, ele passou a ser conhecido por “sadluk” – que significa mentiroso. Ninguém mais o chamou pelo nome. O apelido o acompanhou até a morte.
Quando o cientista e explorador Knud Rasmussen fez, anos depois, a famosa viagem da Groelândia até o Alasca, acompanhava-o um esquimó chamado Mitek (Pato Selvagem). Depois da jornada, Mitek foi convidado a conhecer as cidades de Copenhague e Nova Iorque.
Encantou-se, também, pelo que viu. Ao voltar para sua aldeia, lembrou-se da tragédia de Sadluk e pensou não ser prudente descrever exatamente o que viu.
Decidiu contar histórias que seu povo pudesse compreender. . . e acreditar.
E assim fez.
Contou que o pesquisador Rasmussem mantinha, em Nova Iorque, um caiaque às margens de um grande rio, o Hudson. Juntos saíam de manhã para caçar.
Patos, gansos e lontras existiam em grande quantidades em Nova Iorque e eles se divertiam muito.
Salvando sua reputação. Mitek, aos olhos de seus conterrâneos, é um homem honesto. Seus amigos o tratam com todo o respeito.
Como é árdua a estrada daqueles que trazem novas idéias. Muitos de nós, nos colocamos contra o novo, fechando o espírito às novas idéias.
Se não procurarmos agir de forma diferente, sendo receptivo às novas idéias, o espírito se torna acanhado, estreito e fechado. Encolhe-se e vai. Seguramente ficará para trás.
Como sabemos nenhuma matéria prima é mais relevante para a empresa, seja qual for o ramo em que ela atue, do que as idéias.
Mas, trazer novas idéias nem sempre é possível, assim, o maior problema que enfretamos nunca é como trazer idéias novas e inovadoras e, sim, como tirar as idéias velhas de lá.
E de onde vêm as boas idéias novas?
Eu diria que vêm das diferenças, vem da criatividade quem vem de justaposições improváveis. Uma idéia nova é boa quando é eficaz e pode ser a competência essencial mais valiosa que uma organização inovadora pode esperar ter.
Quantos Mitek encontramos pelos caminhos de nosso mundinho corporativo que, mesmo tendo excelentes novas idéias, as guardam para si.

(Fonte:site sobreadministração.com.br - por Rubens Fava favarubens@uol.com.br Rubens Fava é formado em Ciências Econômicas e Administração com ênfase em marketing, especialização em Productivity Improvement pelo JPC – Japan Productivity Center for Sócio-Economic Development – Tókyo - Japan, mestre em Administração pelo ESADE de Barcelona ES e doutorando em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina - USFC.É autor do livro Caminhos da Administração. )

Nenhum comentário: