sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Empregos


Por que se pergunta sobre religião em processos seletivos ? O que fazer ?


Estou participando de vários processos seletivos e notei uma pergunta peculiar que surgiu numa das entrevistas e se repetiu num outro processo: 'Qual a sua religião?' Essa pergunta surge com que intenção? A resposta tem que peso em um processo seletivo?

Perguntas sobre a religião do candidato em entrevistas de emprego podem ser consideradas discriminatórias. ALei 9.029 proíbe práticas discriminatórias para efeitos admissionais ou de permanência da relação de trabalho por sexo, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar e idade, não mencionando religião. No entanto, já existem projetos de lei prevendo a proibição de discriminação por deficiências, religião, orientação sexual e restrições de crédito.

Tais perguntas podem ter desde motivações casuais (por mera curiosidade ou ingenuidade do entrevistador, quando não é alguém da área de recursos humanos) até razões de fato discriminatórias (ou seja, quando a resposta pode ser critério de seleção).

As possíveis motivações da empresa podem estar relacionadas a ocorrências anteriores com colaboradores de determinada religião, ao horário de trabalho (algumas religiões não permitem o trabalho em determinados horários e datas) e até mesmo a uma cultura tendenciosa na empresa quanto à contratação de pessoas de determinada crença.

Existem várias estratégias para lidar com essa questão:

  • Responder diretamente à pergunta: caso o assunto não incomode o candidato, ou caso ele perca o interesse pela vaga ao detectar alguma intenção discriminatória na pergunta.
  • Desviar da pergunta: nesse caso, é possível responder vagamente algo como "quanto à religião, tenho a minha crença". Caso o entrevistador insista em obter a resposta, é possível dizer que não gostaria de falar sobre esse assunto, que é de caráter pessoal. Se uma pergunta desse tipo vem junto de outra questão, é possível responder apenas a esta última e manter foco apenas nela, não respondendo sobre a religião. Pode-se ainda fazer uma pergunta ao entrevistador, que fará com ele tenha que pensar na resposta, desviando-o da pergunta que ele mesmo fez.
  • Tratar do que está por trás da pergunta: nesse caso, pode-se perguntar educadamente sobre o propósito da questão. É possível questionar o entrevistador se a pergunta está efetivamente relacionada ao cargo. Isso pode desviar a intenção original da pergunta do entrevistador e até fazer com que ele simplesmente não insista em obter resposta.
  • Recusar-se educadamente a responder à pergunta: aqui é possível dizer simplesmente que não gostaria de falar sobre esse assunto, por ser de caráter pessoal. Mesmo recusando-se a responder, o candidato não deve mostrar hostilidade ao entrevistador. É importante mencionar que, caso haja eliminação do candidato devido à recusa dele em responder, de fato identificou-se que o processo é discriminatório.

  • (por Marcelo Abrileri, presidente da empresa de recursos humanos Curriculum)

    Um comentário:

    Anônimo disse...

    Prezado,

    Perguntar, até onde sei, não é discriminatório. Eu posso perguntar a religião e nada mais. O que vou fazer com tal informação é que pode caracterizar discriminação. Agora, como provar? Este é o grande dilema das empresas e pessoas que passam por processos seletivos.

    Abraço

    Rogerio Martins
    http://saladeterapia.blogspot.com/
    http://palestranterogeriomartins.blogspot.com/