segunda-feira, 22 de junho de 2009


Troque uma dívida antiga por uma nova, com juros menores Bolso // Aproveite a redução da taxa Selic para renegociar débitos do cartão de crédito, cheque especial e equilibre orçamento


Quem está na faixa dos 30 anos (ou já passou dela) se lembra de um jogo que fazia o maior sucesso no antigo programa Domingo no Parque. Em uma cabine à prova de som, a criança tinha que responder "sim" ou "não" toda vez que uma luz acendia depois de Sílvio Santos perguntar coisas do tipo "quer trocar uma bicicleta BMX Monark por um sorvete?" A pobre criança respondia, toda empolgada, "simmmmm". Mas às vezes a troca dava certo. Um cacho de bananas por um videogame. E a criança ia para casa bem feliz. Agora são os adultos endividados que podem viver dias de Domingo no Parque. Basta que consigam trocar a dívida antiga por uma nova, com juros menores.

A troca de dívidas - especialmente aquelas que apresentam juros a perder de vista, como o cartão de crédito - já era incentivada antes. Com a redução da taxa básica (Selic), que está na casa de um dígito, os juros dos empréstimos também estão baixando. Então é vantagem optar por uma dívida que dê umamargem maior para o pagamento. O mais em conta, claro, é o crédito consignado, aquele com desconto na folha de pagamento. A taxa média é de 2%. Se não der para fazer o consignado (já existe um empréstimo que chegou ao limite), outra opção é o empréstimo pessoal, concedido pelo banco sem uma destinação específica. Você usa para o que quiser. Pagar a dívida do cartão, por exemplo.

De acordo com Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa média mensal do empréstimo pessoal em maio estava em 5,36%. Como ela varia muito de banco para banco, a dica é pesquisar bastante. Pode ser a solução para a dívida do cheque especial, outra grande dor de cabeça, que segundo a Anefac ficou com uma taxa média de 7,59% ao mês em maio. O analista financeiro Roberto Ferreira recomenda a "troca" da dívida que tem juros maiores por uma com juros menores. Mas lembra que a pessoa deve ficar bem atenta e, antes de qualquer coisa, precisa saber negociar.

"Na troca da dívida é preciso negociar o saldo devedor atual, que tem muitos juros embutidos", lembra Ferreira. Ele cita o exemplo de uma dívida de cartão de crédito de R$ 1 mil. Com juros mensais de 15%, essa dívida passa para R$ 2.313 ao final de seis meses. Mas a operadora do cartão cobra também juros de mora, multa. No fim das contas, os juros mensais podem ficar em 20% ao mês. E nos seis meses seguintes, ao invés de R$ 2.313, a dívida passa para estratosféricos R$ 2.986. Ao invés de chegar na empresa com o dinheiro que tirou no empréstimo pessoal (por exemplo) debaixo do braço para quitar a débito, a pessoa deve pedir o abatimento da dívida.

Negociação - "Ela pode pedir para que os taxas de cobrança e outras saiam da conta, pedir o abatimento e transformar a dívida naqueles R$ 2.313", exemplifica Roberto Ferreira. O analista financeiro faz outra recomendação. A pessoa endividada, que entende pouco ou absolutamente nada de juros & cia, deve perder a vergonha e conversar com alguém capacitado (pode ser um contador).
por Tatiana Nascimento
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