Instituição tem apenas uma agência, mas oferece produtos via correspondente em mais de 30 lojas próprias e centenas de parceiros
Aline Cury Zampieri, iG São Paulo
Compartilhar: Apesar de ter apenas uma agência, o Banco Morada, que está sob intervenção do Banco Central (BC), utiliza a rede de seu correspondente Morada Credi para vender seus produtos. Em sua página na internet, o Morada Credi diz que oferece soluções financeiras, com produtos diversificados, para diferentes perfis de clientes.
O correspondente do Morada está presente em todo o Brasil, com mais de 30 lojas próprias e centenas de parceiros habilitados para a distribuição dos produtos. Tem convênios e consignado com o INSS, Marinha, Aeronáutica, Exército, governos de diversos estados e prefeituras.
A única agência do Banco Morada, no centro do Rio de Janeiro, está fechada. Os diretores da instituição financeira também não estão no local. Funcionários que atenderam a chamadas do iG se recusaram a dar qualquer informação sobre o futuro dos correntistas ou planos de reabertura da agência.
O BC informou que o dinheiro do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para os clientes do Morada deve estar disponível a partir de segunda-feira. Para ter acesso aos recursos, o cliente terá que assinar um documento de transferência de crédito. Esse formulário deve estar disponível nos sites do FGC e do Morada também na segunda-feira.
O Banco Morada, segundo dados do BC, tem 137 contas de depósito à vista, 42 funcionários e é auditado pela companhia de Porto Alegre UHY Moreira. Por meio de sua assessoria, a UHY disse que, no balanço do Morada de fevereiro, emitiu um parecer com ressalvas. A UHY afirmou, no entanto, que os preoblemas do banco não são de natureza contábil, mas de gestão e regras de controle interno.
Patrimônio em alta
O patrimônio do banco, ainda de acordo com o BC, cresceu de R$ 57 milhões para R$ 109 milhões entre os meses de janeiro de 2010 e desse ano. Os depósitos somavam R$ 375,994 milhões, ante R$ 323,591 milhões em janeiro do ano passado.
Segundo comunicado do BC, a decisão é resultado do "comprometimento patrimonial, do descumprimento de normas do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil e do fato de seus controladores não terem apresentado um plano de recuperação viável para a instituição".
De acordo com a nota, o BC "está tomando todas as providências cabíveis na situação" e poderá aplicar medidas punitivas de caráter administrativo, a depender dos resultados da apuração das responsabilidades.
O que mais cresceu
Segundo a última edição da revista Valor 1000, o banco foi o que mais cresceu em operações de crédito, entre os pequenos e médios, em 2009. A alta foi de 280%. O Morada era o 89º maior do país em 2009, tendo galgado algumas posições desde o 94º lugar do ano anterior. Os ativos somavam R$ 596 milhões.
A instituição ainda aparecia na décima colocação entre os 20 bancos com melhor rentabilidade operacional, sem a equivalência patrimonial, entre os médios e pequenos, com 31,6% do patrimônio líquido. Ficava à frente de instituições como Fator, Honda e Cruzeiro do Sul.
O Morada faz parte de um grupo que possui mais de 40 anos de existência, e começou em 1967 com a Morada Associação de Poupança e Empréstimo, voltada ao financiamento habitacional. Nos últimos anos, voltou seu foco para crédito ao consumo.
Em sua página na internet, o banco diz que seu projeto de expansão tem foco em empréstimos consignados em folha de pagamento de aposentados, pensionistas e militares, assim como servidores públicos de todas as esferas. O banco atende pessoas físicas e empresas de pequeno e médio porte.
O Banco é associado da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) e um de seus sócios, Odílio Figueiredo Neto, é vice-presidente da Associação.
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