quinta-feira, 5 de maio de 2011

Fim do assédio pessoal - A abordagem feita por funcionários de empresas de empréstimo a pedestres nas ruas é proibida em Montes Claros
Vanelle Oliveira
Repórter

A prática de parar pessoas nas ruas, feita por trabalhadores de empresas de empréstimos financeiros, aquisição de cartões de crédito e de vendas está com os dias contados em Montes Claros. Foi aprovado, na manhã desta terça-feira (03), uma lei que proíbe a abordagem feita por funcionários destas empresas.
O vereador Valcir Soares (PTB) é autor do projeto de lei que impede que os estabelecimentos comerciais que possuem essa finalidade permita que seus funcionários parem clientes na rua para oferecer-lhes os serviços. Segundo o parlamentar muitas foram as pessoas da comunidade que o procuraram dizendo se sentirem lesadas por empresas que prometem dinheiro rápido, com juros baixos e facilidades de pagamento, mas que após o fechamento do contrato, dão conta que não foram alertadas corretamente das implicações contratuais.
De acordo com o parlamentar a intenção é proteger os consumidores que se encontram expostos a empresas que, infelizmente, não respeitam o código de defesa do consumidor e iludem pessoas simples, na maioria, idosas, e pessoas com deficiência, a contrair dívidas difíceis de serem liquidadas. Ainda segundo Valcir, outra reclamação da comunidade é sobre a abordagem feita pelos profissionais.
- No ímpeto de seduzir o futuro cliente, muitos funcionários seguram as pessoas que transitam nas ruas pelo braço tentando arrastá-los até a loja para contrair empréstimos ou cartões de crédito - denuncia.

PREJUÍZO

A votação teve o aval do vereador Altemar de Freitas (PSC), que desde o início da tramitação da matéria no legislativo municipal, declarou ter sido vítima de uma destas empresas e teve um prejuízo calculado em aproximadamente R$ 15 mil.
- Levei um calote de uma empresa que parecia ser séria. Eles insistiam muito para que firmássemos um acordo e depois de firmado ninguém mais conseguia encontrar a empresa, que mudava de lugar várias vezes. Depois me sobrou o prejuízo - afirma.

ALÍVIO

Para Victor Santos, gerente de uma empresa de empréstimos, a aprovação do projeto veio em boa hora, pois acredita que a abordagem feita por algumas empresas não é boa para os clientes.
- A nossa empresa apoia a nova lei porque na verdade a abordagem poderia ser melhor. Nossas atendentes trabalham com atenção e procuram tratar bem o público, mas infelizmente, outras agem de forma indelicada, afirma.
O gerente explica ainda que a direção da empresa não pretende reduzir o quadro de funcionários em função da lei e espera que, a partir de agora, o mercado atual se torne mais seleto.
- Iremos utilizar as pessoas de outra forma e otimizar o atendimento aos clientes no interior da loja. E acredito que as empresas não idôneas e que têm o costume de abordar seus clientes de forma agressiva e sem cordialidade deverão sair do mercado, encerra.
Agora, a matéria será encaminhada para apreciação do executivo que tem até 15 dias a partir de seu recebimento para dar um parecer. Com a sanção do prefeito, o PL nº 44/11 obriga o município a criar mecanismos de fiscalização destas empresas. Caso algum funcionário seja flagrado descumprindo a lei, será aplicada uma pena. Em caso de reincidência em menos de 30 dias, a instituição poderá ter o alvará de funcionamento suspenso.

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