segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Rombo de US$ 2,3 bi abala banco suíço
O banco suíço UBS reconheceu perdas da ordem de US$ 2,3 bilhões causadas por operações fictícias praticadas por Kweku Adoboli. Em entrevista ao semanário suíço Der Sonntag, o porta-voz do UBS, Oswald Grübel, contou que as operações que causaram o rombo ocorreram nos últimos três meses, classificadas como "comércio especulativo sem autorização" em contratos de futuros em índices de mercado de valores no S&P 500 em Wall Street, indexadas no Dax de Germay e no Euro Stoxx, um índice baseado em uma cesta de ações europeias (eurozone).
Grübel é um banqueiro veterano que saiu da aposentadoria para tentar salvar o UBS há dois anos. Ele disse que Adoboli praticou a fraude por meio de falsificação da contabilidade. De acordo com o banco, as operações fictícias violaram as regras e limites establecidos pelo UBS para a comercialização de índices futuros.
O banco que montou um comitê especial para investigar as atividades de Kweku Adoboli. Depois de saber que estava sendo investigado, Adoboli revelou suas atividades ilegais no dia 14 setembro.
O comitê é formado por "não-executivos" do UBS. Será presidido por banqueiro David Sidwell, ex-diretor, e terá como integrante Joseph Yam, ex-chefe da autoridade monetária de Hong Kong, e Ann Godbehere, ex-executivo do Northern Rock, um dos bandos estatizados na crise de 2008.
O UBS fechou todas as posições que acredita foram articuladas por Adoboli. Milhares de funcionários do banco da região da City de Londres, onde o UBS emprega mais de seis mil pessoas, estão em risco.
Grübel teve de enfrentar chamadas dos Democratas Sociais da Suíça para esclarecer a situação do UBS. O banco deverá reduzir a divisão de banco de investimentos, e cortará milhares de empregos.
As agências Standard & Poors e Fitch colocaram o UBS sob revisão negativa, decisões que aconteceram depois de a Moodys também ter colocado sob vigilância a nota de longo prazo do banco suíço, atualmente em AA3.

História se repete

Kweku Adoboli, de 31 anos, foi detido em Londres, onde trabalhava na divisão de mercados futuros da instituição suíça. O caso relembra outras históricas, como a praticada por Nick Leeson, que contribuiu para a queda do britânico Barings Bank, ou o de Jérôme Kerviel, que protagonizou um desfalque de 5 milhões de euros no francês Société Générale.
O especialista em mercados James Hughes explicou que “se trata de uma questão de confiança. Em 2008, as pessoas perderam essa confiança em vários bancos, tanto que os governos tiveram de intervir. E, agora, no momento em que alguns bancos estavam em recuperação, acontece isto”.
O UBS garante que as posições dos clientes não foram afetadas. Mas é quase certo que registre prejuízos significativos no terceiro trimestre deste ano. As ações do banco caíram mais de 9%.
Fonte: Euro News e The Guardian

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