Endividamento não combina com independência financeira
É difundida entre muitas pessoas, especialmente as mais jovens, a tese de que só é possível construir patrimônio através da compra parcelada e via crédito (empréstimos, financiamentos etc.). O raciocínio é tão simples que chega a assustar: pagar pouco por mês (as famosas parcelas que “cabem no bolso”) não atrapalha o fluxo de caixa e já permite o usufruto do bem.
Em se tratando de interesses maiores, como por exemplo atingir a independência financeira, garantir geração de renda passiva e construir um futuro melhor e mais tranquilo, a lógica do “leve agora e vá pagando” contribui de forma de negativa, já que insere no cotidiano financeiro mais gastos e compromissos financeiros.
Você já deve ter ouvido a máxima das finanças pessoais, que diz que “existem aqueles que recebem juros e aqueles que pagam juros”. Na prática, essa frase retrata a importância de colocarmos nosso dinheiro para trabalhar pelos nossos objetivos, investindo-o e aproveitando o tempo para multiplicá-lo. É a “mágica” dos juros compostos.
Quem opta por comprar tudo agora, sem contar com a própria capacidade de esperar e poupar, apoia-se em dívidas caras – lembre-se que temos os juros mais altos do mundo. A sensação de bem-estar imediato causada pelo consumo cria barreiras complicadas para a importância de aprendermos a fazer algumas contas matemáticas simples.
Funciona assim: você pode poupar mensalmente o valor equivalente à parcela que pagaria no financiamento do carro e comprá-lo à vista daqui três anos. Ou pode optar pelo financiamento em 60 meses e sair com o carro agora. A diferença no valor pago pelo bem será gritante e terá saído de seu bolso.
Ou assim: você pode planejar sua viagem de férias com antecedência de um ano ou mais, economizando e guardando dinheiro para as passagens, gastos esporádicos e compra de moeda estrangeira ou simplesmente aceitar o pacote oferecido pelo agente de turismo e usar o cartão de crédito para suas compras e gastos durante a viagem. Ao optar pelo puro “carpe diem”, muitos acabam entrando no rotativo e a viagem rapidamente muda de sonho para pesadelo.
Aquele seu amigo administrador pode dizer que o endividamento não é tão ruim assim. Cuidado com a interpretação. No ambiente empresarial, a realidade é outra: o crédito serve para investir na capacidade de produção das empresas, o que aumentará o faturamento e, consequentemente, o lucro. Isso se chama alavancagem, mas não é algo que você possa fazer tão facilmente na vida real.
Diante disso, o melhor é mesmo aprender a lidar com os limites de seu padrão de vida e arcar com as consequências de suas escolhas. Não há certo ou errado. O que existe são resultados diferentes, de acordo com as decisões que tomamos. Independência financeira, oras, é uma escolha que não combina com aumento de gastos, mas sim com geração de receita a partir do que conseguimos investir. Não é óbvio?
Viver uma vida frugal por 15 anos pode permitir que você ganhe qualidade de vida durante o restante de sua vida, trabalhando menos e curtindo mais as pequenas coisas; viver intensamente o presente, gastando e consumindo, pode fazer esses mesmos 15 anos passarem “voando”, mas não mudarão a realidade dali em diante: talvez você precise de mais 15 anos para se ajeitar e poder descansar…
Fonte: Voce S/A - Escrito por Conrado Navarro

Nenhum comentário:
Postar um comentário