Banco Central amplia cerco aos empréstimos
A partir de 2012, Banco Central vai monitorar operações de crédito acima de R$ 1 mil para evitar criação de bolha
Brasília – Com receio de que o Brasil repita os problemas que levaram os Estados Unidos a uma bolha de crédito e consequentemente ao estouro da crise de 2008 – a pior da história do capitalismo –, o Banco Central criou um raio x detalhado do crédito no país. Por meio do novo Sistema de Informações de Crédito vai monitorar todas as operações acima de R$ 1 mil e detalhar dívidas e informações do consumidor, além de criar um ranking desses clientes. As vendas e cessões de carteiras entre instituições também serão observadas mais de perto. No total, R$ 1,8 trilhão vai estar sob a fiscalização da autoridade monetária a partir de abril de 2012 – o equivalente a 96% de todo o crédito concedido atualmente.
Antes dessas mudanças, o BC registrava apenas as operações de crédito acima de R$ 5 mil e tinha poucas informações sobre os consumidores. Agora, vai poder segregar os dados, inclusive, por região geográfica. “Serve para o Banco Central acompanhar o risco de crédito no país”, disse Anthero Meirelles, diretor de fiscalização do BC. “Quanto mais informação houver, mais precisa será a atuação do BC no sistema. Teremos uma visão clara do mercado de crédito”, explicou.
Segundo Meirelles, os riscos de crédito “representam 90% de todo o risco das instituições financeiras” e com o aumento da bancarização no país e a expansão do crédito nos últimos anos se fez necessário colocar essas operações sob o microscópio do fiscalizador. Em pouco mais de seis anos os empréstimos e financiamentos com valor entre R$ 1 mil e R$ 5 mil cresceram 174,5% – o que chamou a atenção do BC. Com as mudanças, em abril do ano que vem estarão incluídos no sistema de fiscalização 151 milhões de operações, o equivalente a R$ 159 bilhões. “É uma preocupação pró-ativa”, observou Meirelles.
O novo sistema vai trazer informações como a renda dos clientes, o faturamento das empresas e dados sobre fundos de investimento de direitos creditórios. Vai registrar ainda operações de cessões de crédito e modificações na carteira de financiamentos das instituições. Operações de crédito que sejam lastro de títulos também serão registradas no banco de dados.
Crise restringe financiamentos
O crediário para quem quer comprar carros novos no Brasil está mais restrito. Amedrontados com a situação da crise europeia, bancos brasileiros que oferecem modalidades de financiamentos de veículos já começam a endurecer as aprovações – especialmente para a classe média emergente. “Essa perspectiva é muito negativa, porque foi justamente essa classe que respondeu pela alta nas vendas nos últimos dois anos”, explica Ayrton Fontes, economista da agência de varejo automotivo M. Santos. Em 2009 e 2010, 600 mil compradores de carros eram motoristas de primeira viagem. Daqui para a frente, não há perspectivas de que essa festa continue.
Os números da produção nacional de veículos já indicam desaceleração – se a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reviu o crescimento da frota, dos 5% estimados anteriormente, para os atuais 3,3%, o otimismo das projeções para 2012 também é tímido. Mas não atribui o cenário, ainda, aos impactos da crise internacional. “Este ano colhemos, no segundo semestre, os frutos das medidas macroprudenciais, de contenção de crédito, adotadas no início do ano”, acredita Ademar Cantero, diretor de relações institucionais da Anfavea. Neste ano, o mercado interno de veículos era estimado inicialmente em 3,690 milhões de unidades. “Acabamos de revisar para 3,630 milhões e, para o próximo ano, mantivemos a indicação de 3,770, com crescimento de 5% .
Fonte:- O Estado de Minas - por Victor Martins - Frederico Bottrel
Fonte:- O Estado de Minas - por Victor Martins - Frederico Bottrel

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