BC muda regras para aumentar liquidez de bancos e injeta R$ 30 bi
O Banco Central decidiu alterar as regras de recolhimento de compulsório bancário sobre recursos com o objetivo de aumentar a liquidez do sistema financeiro, sobretudo nos pequenos e médios bancos. A medida tem o potencial de injetar cerca de R$ 30 bilhões no mercado num momento em que também há preocupação de impulsionar o crescimento econômico.
A autoridade monetária anunciou nesta quinta-feira que vai reduzir o percentual de compulsório a prazo que tem rendimento pela Selic - hoje em 11% ao ano. A partir de 24 de fevereiro, o percentual cairá para 73% e em 27 de abril do ano que vem, para 64%. Atualmente, todo o valor depositado é remunerado pela taxa básica de juros.
A ideia da medida é estimular as instituições financeiras a comprar ativos, como carteira de crédito e letras financeiras (título privados), de outros bancos, sobretudo médios e pequenos, para usá-los na dedução do compulsório a prazo. Desde 2008, o BC tem tomado medidas para estimular as instituições grandes a comprar as carteiras das pequenas e médias instituições.
O estoque total de recursos a prazo no compulsório é de R$ 134 bilhões. Atualmente, uma parcela de R$ 60 bilhões pode ser utilizada pelos bancos para deduzir esses ativos de outras instituições, mas apenas R$ 31 bilhões eram usados de fato, de acordo com dados do final de novembro.
Isso mostra que os bancos estavam entendendo ser mais recompensador depositar o compulsório e ganhar a remuneração da Selic do que comprar carteira de crédito ou títulos privados de outros bancos.
Ou seja, existe um potencial de R$ 29 bilhões que podem ser usados pelos bancos para comprar ativos de outras instituições injetando liquidez no mercado e, no limite, alimentando o consumo por meio de empréstimos.
As medidas refletem ainda a preocupação do BC em estimular a economia, num momento que ela registrou estagnação no terceiro trimestre e as perspectivas são de crescimento menor.
O BC já vem reduzindo a taxa de juros, enquanto o governo anunciou ações para incentivar o consumo.
Letras
O BC não alterou a alíquota de 20% dos depósitos a prazo que tem de ir ao compulsório bancário, que é a parcela dos depósitos dos bancos que fica presa na autoridade monetária.
"A decisão visa a otimizar a liquidez do sistema financeiro e possibilitar o alongamento do perfil de captação das instituições financeiras", informou o BC, em comunicado.
Adicionalmente, o BC reduziu o valor do patrimônio de referência dos bancos para se tornarem elegíveis à depósito compulsório. O patrimônio caiu de 2,5 bilhões de reais, para R$ 2,2 bilhões, com data base de 30 de junho último.
A autoridade monetária também decidiu incluir as letras financeiras como ativo a ser deduzido do compulsório a prazo num movimento para dar mais liquidez à esse papel.
Recentemente, o Conselho Monetário Nacional (CMN) desburocratizou a operação compromissada com esses ativos, aplicando a mesma regra já existente para os títulos públicos.
Fonte:- Agencia Reuters
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