quarta-feira, 28 de março de 2012

Mantega critica cautela dos bancos sobre crédito
A maior cautela na oferta de crédito pelos bancos foi criticada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em reunião fechada na segunda-feira na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ele considerou "inoportuna" a ação das instituições, que estão mais seletivas nos financiamentos. Os dados revelados ontem pelo Banco Central (BC), que mostraram o encarecimento do crédito, aumentaram a contrariedade do ministro.

No encontro com industriais paulistas, Mantega foi questionado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sobre as recentes restrições impostas por alguns bancos privados no mercado de crédito. O ministro criticou a estratégia e prometeu que o governo vai agir em breve para melhorar as condições nos financiamentos.

Essa intenção foi reforçada ontem após a divulgação do relatório do BC. Na equipe econômica, os números fortaleceram o diagnóstico de que a retomada da atividade econômica é atrapalhada pelo comportamento do crédito e o elevado custo dos financiamentos.

Há pouco mais de dez dias, após reportagem do Grupo Estado sobre o plano do governo de usar instituições públicas para tentar reduzir os juros, representantes de bancos privados sondaram o Ministério da Fazenda para obter detalhes sobre a estratégia.

Em grandes instituições privadas, há a percepção de que esse plano pode ter caráter "político". No governo, a avaliação é rechaçada com veemência e Mantega alega que as margens praticadas pelos bancos no Brasil são incompatíveis com o grau de segurança do sistema financeiro nacional.

Alinhadas com o desejo do ministro da Fazenda, projeções do BC confirmam que os bancos estatais devem crescer com mais força. Em 2012, o total de empréstimos dos bancos públicos - como o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal - deve avançar 19% na comparação com o ano passado. O ritmo será superior ao esperado para os privados nacionais, que devem ter expansão de 12%.

Pela previsão do BC, o crédito deve crescer, na média, 15% no ano. Em 2011, aumentou 19%. O chefe do Departamento Econômico, Túlio Maciel, considerou a desaceleração e o ritmo previsto para o ano como "adequados" para a economia brasileira. Nos últimos 12 meses, porém, o volume segue em ritmo maior: 17,3%.

O analista de bancos do BES Securities, Gustavo Schroden, concorda que haverá dois ritmos no mercado. "Privados seguem cautelosos com a crise externa e a consequência disso para o Brasil. Além disso, existe preocupação com o desenrolar da inadimplência que segue em patamar considerado elevado. Esses bancos serão mais seletivos e vão avaliar melhor os clientes", diz.

Em relatório, o Credit Suisse concorda com o BC e prevê que o crédito deve crescer 15% no ano. De acordo com estimativas da instituição, os dois maiores privados - Itaú e Bradesco - devem avançar abaixo desse nível, na casa dos 13% a 14%.

Sobre os spreads, Schroden diz que o tema é complexo e a redução do patamar envolve uma série de fatores. "Uma deles é a inadimplência. Mas há também a falta de competição no setor, o alcance do crédito na sociedade, o elevado patamar da taxa Selic e a carga tributária", enumera.
Fonte:- Agência Estado

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