Os grandes bancos privados podem ser forçados a acompanhar o Banco do Brasil e também baixarem os juros caso não queiram perder espaço no competitivo mercado de crédito, avaliam especialistas. Oficialmente, os bancos privados ainda não se pronunciaram sobre qual estratégia vão seguir. Itaú e Bradesco informaram que estão avaliando.
Itaú, Bradesco e Santander já perderam mercado para os bancos públicos na crise financeira mundial em 2008. Naquele momento, ocorreu estratégia semelhante, com o governo forçando BB e Caixa a baixarem os juros para estimular o crédito. Com isso, a fatia dos bancos públicos no mercado de crédito nacional saltou de 33,7% em junho de 2008 para 39% em dezembro do ano seguinte, segundo dados do Banco Central. Só a fatia do BB saltou de 16% em 2007 para 20% em 2009, nível mantido até hoje.
Análise
Para os analistas do Credit Suisse, Marcelo Telles, Daniel Sasson e Victor Schabb, a decisão do BB vai estabelecer um novo padrão para a competição bancária. Na média, houve um corte de 35% nas taxas. “Foi uma redução de natureza sem precedente”, destacam em relatório. “Os bancos privados podem não seguir o movimento, sobre pena de perderem fatia do mercado”, destacam.
Na avaliação do analista de bancos da consultoria Lopes Filho, João Augusto Salles, a estratégia do BB até faz sentido e deve ajudar o banco a ganhar mais clientes, mas está sendo feita em momento errado. A razão é que as taxas de inadimplência estão em alta e devem continuar assim pelo menos até o final do primeiro semestre. “O racional seria não fazer a redução dos juros agora e esperar a inadimplência baixar. Mas se não quiserem perder espaço no crédito, Itaú, Santander e Bradesco terão que fazer o mesmo”, disse.
Na avaliação do analista de bancos da consultoria Lopes Filho, João Augusto Salles, a estratégia do BB até faz sentido e deve ajudar o banco a ganhar mais clientes, mas está sendo feita em momento errado. A razão é que as taxas de inadimplência estão em alta e devem continuar assim pelo menos até o final do primeiro semestre. “O racional seria não fazer a redução dos juros agora e esperar a inadimplência baixar. Mas se não quiserem perder espaço no crédito, Itaú, Santander e Bradesco terão que fazer o mesmo”, disse.
Na crise de 2008, também houve aumento da inadimplência. Os bancos tiveram que constituir provisões extras para devedores duvidosos. Em 2011, eles fizeram reforços nessas provisões quando os calotes voltaram a subir, mas nada comparado ao daquele ano. Para os analistas, caso adotem taxas mais agressivas neste momento, as instituições financeira vão ter que voltar a fazer reforços substancias nas provisões, principalmente no caso do BB.
Entre os bancos de montadoras, a estratégia do BB de baixar o juro mensal para 0,99% no financiamento de veículos não preocupa o setor. A razão é que o banco público não tem atuação forte nos financiamentos em concessionárias e reduziu as taxas para níveis já praticados pelos fabricantes como Volkswagen e Mercedes-Benz. (da AE)
O quê
ENTENDA A NOTÍCIA
O Banco do Brasil anunciou que os juros cobrados pela instituição vão cair bastante a partir do dia 12, como parte do programa Bom pra Todos, que ampliará a oferta de crédito para pessoas físicas e microempresas.
Números
0,99
porcento é a taxa do juro mensal que o BB vai aplicar no financiamento de veículos
16,3
porcento seria a rentabilidade do lucro dos bancos com a redução das taxas previstas
Fonte:- O Povo online

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