sexta-feira, 4 de maio de 2012

Governo anuncia mudança no rendimento da poupança
O governo federal deu ontem mais um passo na meta de reduzir os juros e manter a inflação sob controle. Dessa vez, o alvo foi o rendimento da caderneta de poupança. O objetivo do governo é garantir o equilíbrio entre a poupança (que não tem taxa de administração, nem Imposto de Renda) e fundos de investimentos (que além dos custos, seguem a Selic, que está em queda). A situação poderia causar desconforto para o sistema financeiro, já que os fundos têm papéis da dívida pública entre seus ativos. "A intenção é evitar a migração da poupança para os fundos e dos fundos para a poupança", destacou o economista Roberto Troster.
Até ontem, a mais tradicional e popular aplicação financeira do País tinha rendimento anual de 6,17% mais TR (Taxa Referencial). A partir de hoje, uma medida provisória publicada em edição extra de ontem do Diário Oficial da União muda as regras da rentabilidade, que agora está atrelada à taxa básica de juros, a Selic.
Depósitos feitos a partir de hoje e cadernetas abertas terão rendimento de 70% da Selic mais TR. Mas a medida vale apenas se a taxa for igual ou menor do que 8,5% ao ano. Atualmente ela está em 9%, mas especialistas estimam que deve cair 0,5 ponto percentual já na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central), que será no fim do mês.
Quem já tem dinheiro guardado na caderneta não precisa se preocupar. Valem as regras passadas, que garantem a rentabilidade fixada em lei. Depósitos feitos a partir de hoje passam a contar com as novas regras, mas isso só se houver mudança na taxa de juros.
O impacto não é tão grande para o pequeno poupador. Isso porque quem tinha, por exemplo, R$ 10 mil aplicados, diante das regras antigas, acumularia R$ 10.620 após 12 meses mais TR. Já com as modificações, o investidor teria R$ 10.560 mais TR. "Além disso, se a taxa cair muito, a poupança será a aplicação de renda fixa que vai render mais por não ter custos (taxa de administração e Imposto de Renda)", comentou Troster ao lembrar que os fundos pagam, no máximo, 80% da Selic. "Mas esses investimentos têm custo, o que pode torná-los menos vantajosos", complementou.
Para o professor de Economia da FGV (Fundação Getulio Vargas) Samy Dana, no entanto, a mudança não impedirá a fuga dos investidores dos fundos para a caderneta. Ele considera que o investimento tem taxa de administração elevada, o que diminui a atratividade. "Os bancos devem passar a oferecer taxas mais atrativas para o CDB (Certificado deDepósito Bancário), por exemplo." A aplicação, que engloba papéis das dívidas dos bancos, remunera hoje entre 80% e 90% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), indexador que segue a Selic. O professor acredita que as instituições financeiras devem pagar até 105% do CDI.
Aplicação ainda segue vantajosa
Mesmo com as mudanças anunciadas ontem, a caderneta de poupança segue como opção vantajosa de aplicação, especialmente para o pequeno investidor, já que não tem Imposto de Renda e não há cobrança de gestão. "Os fundos vão ter que rever suas taxas de administração, que hoje retiram parte da rentabilidade", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao considerar que as mudanças na poupança levarão os fundos a rever as taxas cobradas.
Ele explicou que mesmo com a redução da rentabilidade, a caderneta segue como boa opção. E se a Selic cair para 8% ao ano, a poupança terá rentabilidade de 5,6% mais TR (Taxa Referencial), enquanto que fundos com taxa de administração de 0,5% ao ano renderão 5,7% ao ano.
NOVOS DEPÓSITOS - As regras da nova poupança valem apenas para os novos depósitos e isso só se a Selic for igual ou menor que 8,5% ao ano. Significa dizer que se o poupador guardar hoje um montante na caderneta e no fim do mês a taxa de juros se mantiver em 9,% ao ano, o seu rendimento neste período será de 6,17% mais TR, como já era.
No entanto, se em julho a Selic cair para 8% ao ano, o valor aplicado entre hoje e o dia que a taxa básica diminuir será remunerado em 70% da Selic. Se no mês seguinte a taxa básica subir a 9%, por exemplo, volta tudo ao que era até ontem.
CRÉDITO HABITACIONAL - O ministro garantiu que não haverá mudanças no crédito habitacional, já que boa parte dos valores dos empréstimos vem da caderneta poupança.
Há atualmente cerca de 100 milhões de cadernetas de poupança no Brasil, com aplicações acima de R$ 430 bilhões.
Fonte:- Diario do Grande ABC - por Erica Martin  /  Gilmara Santos

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