terça-feira, 29 de maio de 2012

POSSÍVEL VENDA DE PARTE DO SANTANDER BRASIL DEVERÁ PREJUDICAR CONSUMIDORES
SÃO PAULO - Em meio aos rumores de mercado, de uma possível compra de parte do Banco Santander Brasil por outra instituição financeira do País, os especialistas já sinalizam que, caso efetivada, os consumidores serão prejudicados.
O alerta é do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) que se pronunciaram a respeito das especulações. Para as entidades, a possível venda seria negativa para a sociedade brasileira, principalmente, por conta do aumento da contração no mercado bancário.
Maior concentração levaria a juros maiores
A lógica é a seguinte, quanto mais concentrado um setor, maior sua capacidade de determinação de preços. Ou seja, mais fácil seria determinar preços abusivos, já que não existe tanta concorrência. No caso do setor bancário, tudo gira em torno dos juros e qualquer processo que intensifique a concentração do setor, também poderia resultar em juros mais abusivos.
Esse cenário é justamente o oposto do que o governo visa com as recentes medidas anunciadas, lembram as entidades, ressaltando que as reduções das taxas de juros praticadas no país é condição fundamental para a continuidade do processo de desenvolvimento econômico.
Vale pontuar que as primeiras especulações de mercado apontavam que o Banco do Brasil compraria parte do Santander Brasil. Alguns dias depois, os boatos apontaram para o Bradesco, como sendo o possível interessado na compra. Todas as instituições financeiras envolvidas negaram qualquer negociação.
Os maiores bancos
As entidades ainda destacam que os processos de fusões e aquisições vem se acentuando nas duas últimas décadas. “No ano de 1999, por exemplo, segundo os dados do Banco Central, os seis maiores bancos (BB, CEF, Bradesco, Itaú, Unibanco e Banespa) concentravam 59% do Ativo Total do Sistema Bancário Brasileiro. Já em 2011, os seis maiores bancos (BB, Itaú-Unibanco, Bradesco, CEF, Santander e HSBC) passaram a concentrar 81% do Ativo Total do Sistema Bancário Brasileiro”, explicam.
Nas operações de crédito, a tendência parece ser a mesma, “enquanto em 1999 os seis maiores bancos possuíam pouco mais de 60% do total de operações de crédito do setor, em 2011 essa participação chega a 83%. Tais números são suficientes para caracterizar o setor bancário brasileiro como um oligopólio”, pontuam.
Alguns anos atrás, a fusão entre Itaú e Unibanco resultou no corte de quase 7 mil postos de trabalho já no ano seguinte ao movimento. Em 2007, com a compra do Banco Real pelo Santander o impacto direto foi de 2.969 postos de trabalho ao final de 2008.
As entidades ainda observam que a crise financeira internacional não deve ser argumento para justificar a concentração setorial, já que prejudicam os consumidores, empresas e trabalhadores.
“O CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) não pode permitir um processo de fusão/aquisição que gere tamanhos danos para a sociedade brasileira, principalmente no momento em que existe enorme necessidade de que o setor financeiro contribua definitivamente para o desenvolvimento econômico com distribuição de renda e justiça social”, finalizam.
Fonte:- Infomoney Por: Viviam Klanfer Nunes

Nenhum comentário: