Juros do consignado atingem mínimo
Líder entre as modalidades de crédito pessoal, empréstimo com
desconto em folha tinha em abril taxas médias de 25,9% ao ano
O empréstimo consignado – categoria que, pelo seu baixo risco, tem os juros mais baixos do mercado de crédito –, encerrou o mês de abril com a menor taxa média desde que a operação passou a ser acompanhada mensalmente pelo Banco Central, em janeiro de 2004. Nesse período, os juros passaram de 41,4% para 25,9% ao ano.
O empréstimo consignado – categoria que, pelo seu baixo risco, tem os juros mais baixos do mercado de crédito –, encerrou o mês de abril com a menor taxa média desde que a operação passou a ser acompanhada mensalmente pelo Banco Central, em janeiro de 2004. Nesse período, os juros passaram de 41,4% para 25,9% ao ano.
O consignado é líder entre as modalidades de crédito pessoal e o principal
motivo está na diferença da taxa média, conforme mostra uma pesquisa do Banco
Central com treze dos bancos que operam com crédito pessoal. Enquanto o
consignado tem uma taxa de 25,9% ao ano, os juros médios do crédito pessoal –
que inclui Crédito Direto ao Consumidor (CDC), cartão de crédito e cheque
especial – fecharam abril em 44,7%.Uma ferramenta para renegociação
Desde que se aposentou, há seis anos, Jorge Luiz da Silva, de 50 anos, trocou
os empréstimos pessoais pela operação com os juros mais baixos e desconto direto
na folha de pagamento. Silva já fez quatro empréstimos e atualmente tem cerca de
20% da renda comprometida com consignados. “Costumo pegar o que posso dentro do
limite de 30% compatível com a minha renda”, afirma ele, que acaba de fechar um
novo contrato com a Caixa. Com aproximadamente R$ 35 mil empenhados, Silva
conseguiu retirar cerca de R$6 mil, já com a nova taxa do banco de 1,67% ao mês
– resultante das reduções nas taxas – e prazo de 60 meses. “A vantagem é que
consegui renegociar meus empréstimos antigos e com taxas altas e hoje pago juros
mais baixos”, diz. Especialistas em finanças pessoais observam que esse é o
melhor uso do consignado: trocar dívida cara por empréstimos com juros mais
baratos. Para financiar o dia a dia e a aquisição de bens, entretanto, a melhor
opção continua sendo a acumulação de recursos. Quem economiza e paga à vista tem
condições de obter descontos e não corre nunca o risco de ficar inadimplente.
(CJ)
Por Estado
Distribuição porcentual da quantidade e valor dos empréstimos pessoais e
cartão de crédito consignado por estado da Região Sul em abril deste ano.
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O crédito consignado corresponde a 58,7% de todos os contratos de crédito pessoal fechados em abril. Em 2010, o volume de empréstimos era menor, mas a porcentagem de participação do consignado no universo do crédito pessoal era maior (61%).
O que não mudou nesse período foi a carteira de clientes do consignado,
formada em 85% por aposentados, pensionistas e servidores públicos. A
estabilidade dos funcionários públicos é uma garantia para os bancos – afinal,
como as parcelas são descontadas em carteira, o risco de inadimplência é
praticamente zero. Para essas categorias profissionais, a taxa máxima de juros
passou de 2,34% para 2,14% ao mês, para empréstimos, e 3,06% ao mês, para o
cartão consignado.
Para Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos
Executivos de Finanças (Anefac), a redução da participação do consignado no
total de empréstimos mostra que houve uma pequena diversificação na contratação
de crédito, sobretudo após a redução de juros iniciada em abril. Um outro dado
parece apontar no mermo sentido: o número de contratações de consignado por
aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS)
caiu 13,80% de março para abril, segundo dados do Ministério da Previdência
Social. A soma das operações nesse segmento totalizou R$ 2,556 bilhões em abril,
cerca de 2% menos que no mês anterior.
Limitação
Márcio Alaor de Araújo, vice-presidente do banco BMG – um dos líderes em
crédito consignado no país com mais de 5 milhões de clientes –, diz que a queda
no número de contratos e no volume de dinheiro tomado não foi sentida pelo
banco, que registrou crescimento de 18% em maio e projeta 22% para junho.
“Quando as pessoas começam a falar em crise, a redução nas contratações é
automática. Além disso, tem o máximo de 30% da renda para aposentados e
pensionistas, que limita novas contratações. Esse cenário, no entanto, só
favorece o consignado, que tem os menores juros”, diz. “Além do setor público,
que ainda tem muito potencial, temos o setor privado, que é praticamente
inexplorado”, afirma o vice-presidente do BMG.
A maioria das pessoas pega o crédito consignado para quitar dívidas com juros
mais caros, como cartão de crédito e cheque especial, explica Ribeiro de
Oliveira, da Anefac. “Num cenário de risco, com o endividamento, os bancos devem
privilegiar essa operação, que ainda é a melhor alternativa para quem precisa de
empréstimos com prazo longo e juros baixos”.
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