Embora vendido por bancos, título de capitalização não é investimento
Embora seja vendido em bancos, oferecido pelo gerente, o título de capitalização não é considerado um investimento, como são a poupança ou os CDBs (Certificados de Depósito Bancário), por exemplo. Esse tipo de título é, sim, um bilhete para um sorteio.
O dinheiro colocado em um investimento oferece uma taxa ou perspectiva de remuneração após determinado período. Já os recursos colocados nos títulos não são remunerados, apenas devolvidos depois de um prazo com correção pela TR (Taxa Referencial).
Para se ter uma ideia, a caderneta de poupança, uma das mais básicas aplicações, rende, para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012, o equivalente a 70% da taxa Selic (o juro básico, hoje em 7,25% ao ano) mais a TR. Ou seja, se o investidor deixar na poupança o mesmo dinheiro que iria pagar no título de capitalização, já ganhará mais.
O atrativo desse tipo de título está na possibilidade de o comprador ser sorteado e ganhar um dos prêmios oferecidos periodicamente pelas seguradoras (que são responsáveis pelo título que vai ser vendido pelo banco) --como valores em dinheiro, carros e até casas.
As seguradoras possuíam, até novembro do ano passado, cerca de 40 milhões de clientes de títulos de capitalização. Entre janeiro e novembro do mesmo ano, 884 mil participantes (cerca de 2,2% dos clientes) haviam recebido algum prêmio, segundo dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados, do Ministério da Fazenda).
Os prêmios somaram R$ 773 milhões no período, segundo a FenaCap (Federação Nacional de Capitalização) --uma média de R$ 874,4 por premiado.
CONTRÁRIOS
Muitos especialistas financeiros consideram o título de capitalização um instrumento danoso aos clientes do banco. Para consultores, os gerentes dos bancos costumam ser insistentes na oferta desse tipo de título para bater metas de venda estipuladas pelas empresas, que lucram ao não terem de remunerar os clientes pelo dinheiro recebido.
De acordo com o consultor financeiro Valter Police Júnior, o título de capitalização não deve ser uma opção para quem quer realizar um investimento. "Sorteio não é investimento. [Os títulos] são como uma loteria", afirma Police.
Mas o consultor ressalta que existe um perfil de público para essa modalidade financeira. "Quem gosta de jogar, como apostar na loteria ou em corrida de cavalos, pode se beneficiar da modalidade, pois continuará apostando na sorte e receberá parte do seu dinheiro de volta no final", explica.
"No caso de quem aposta no jogo do bicho, a vantagem é maior ainda, pois poderá apostar seu dinheiro em algo legalizado."
Já o professor de finanças Rafael Paschoarelli afirma que nem para esse público os títulos são recomendáveis. "O valor despendido em bilhetes da loteria, por exemplo, é muito menor do que o aplicado nesses títulos. A loteria faz menos mal à saúde financeira do jogador", diz o especialista.
"Quem gosta de jogo não gosta de dinheiro", acrescenta.
O valor médio pago pelos compradores de títulos de capitalização no país em 2012 (até novembro, dado mais recente disponível) foi R$ 26, de acordo com a FenaCap (Federação Nacional de Capitalização).
Firmemente contrário aos títulos, Paschoarelli acredita que a modalidade deveria ser extinta. "É algo que dificilmente se venderia em um país com uma regulamentação financeira mais desenvolvida. É execrável", completa.
OUTRO LADO
Ismar Torres, diretor executivo da FenaCap, afirma que muitos criticam os títulos de capitalização sem conhecer verdadeiramente seu funcionamento.
"É um instrumento financeiro adequado à população de baixa renda, que não conta com muitas opções de investimento", afirma Torres.
"Com a queda das taxas de juros os títulos se tornaram uma opção interessante, principalmente pela possibilidade de participar dos sorteios, que podem aumentar significativamente o patrimônio do cliente de maneira muito rápida", acrescenta.
De acordo com o executivo, as opções de títulos que não devolvem o dinheiro integralmente ao cliente --chamados de populares--, são uma fatia pequena do mercado: cerca de 7,5%. Enquanto as modalidades mais comuns, que devolvem o valor integral corrigido, somam 81% do mercado de capitalização.
Fonte:- Folha de São Paulo por THIAGO SANTOS COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

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