
O conceito tornou-se popular entre executivos e gestores de Recursos Humanos com o advento da internet, que aproximou as pessoas e facilitou a construção das redes, seja por e-mail ou pelos sites de relacionamento como o Orkut e o LinkedIn. Poucas pessoas sabem, no entanto, que o networking é um processo mais intenso do que a simples manutenção de contatos. “Disparar uma mala direta de e-mail quando você precisa de algo, e achar que todos devem ajudar sem haver uma retribuição sua, não é networking.”
A construção de uma rede de apoio profissional requer contato constante com as pessoas que fazem parte dela, além de uma mentalidade de ajudar o outro sempre, para ser ajudado em um momento futuro. O primeiro passo é dar mais atenção às pessoas já conhecidas, entre ex-colegas de faculdade ou do trabalho, convidando-as para encontros e atividades em conjunto, muitas vezes fora do ambiente profissional. “Alguns deles podem estar com carreiras superestabelecidas neste momento”, diz Carmelina. Nesta entrevista, a especialista em networking conta os caminhos a seguir para se obter uma rede de contatos ativa e de sucesso.
Carmelina — Existem várias definições. Podemos considerá-lo a rede de relacionamentos de uma pessoa e as formas de mantê-la viva. É acima de tudo um processo que cria e mantém conexões interpessoais, uma mentalidade que certas pessoas desenvolvem já no berçário, no primário, na faculdade e na entrada no mercado profissional. As pessoas fazem networking porque facilitam as trocas, porque têm prazer de estar umas com as outras. É algo tão natural que não percebemos que isto é um processo que serve para tudo. Não sei se você percebe o quanto você dá de informação para algumas pessoas e não cobra nada por isso. Você já imaginou o quanto uma pessoa faz de bem para outra quando indica uma babá? Isso não tem preço.
Ao contatar esta rede de pessoas conhecidas, como deve ser a abordagem?
Carmelina — Depende do seu objetivo. Resgatar os contatos dos colegas do ensino fundamental para reatar a relação é bem diferente do que entrar em contato com um ex-colega para vender um produto. Se você encontrar no Orkut uma pessoa que não vê há dez anos e convidá-la para almoçar com o intuito de resgatar a relação perdida, pega mal durante o encontro abordá-la dessa forma: “Olha, fulano, eu sei que você está em uma empresa que tem interesse no produto que eu estou vendendo”. A pessoa vai pensar que você entrou em contato apenas por interesse. Para minimizar isso, deixe claro o porquê do contato desde o início. Durante o encontro, é interessante contar as suas realizações, como anda a sua vida profissional, e não ir para o almoço com o argumento de resgatar a convivência e, no meio da conversa, vender o seu produto. Corre-se o risco da pessoa não entender os seus objetivos, que muitas vezes não são apenas o de vender o produto.
O que fazer para reconstruir uma rede de contatos após ela ter sido desfeita por descuido ou algum deslize?
Carmelina — Quando a rede foi desfeita por descuido, falta de atenção ou negligência, ela pode até ser recuperada, uma vez que não houve intenção negativa. Pode ter sido por excesso de trabalho ou ainda falta de tempo. Sempre é possível resgatar os contatos e mantê-los a partir daí. Se o deslize significar a perda da relação por falta de confiança, sacanagem ou por uma intenção não clara que tenha causado danos ao outro, fica mais difícil o resgate. Se conquistar não é fácil, reconquistar é muito mais complicado. Por isso é preciso encarar a construção de redes de contatos como uma postura perante a vida.
Sites de relacionamento na internet, como o Orkut e o LinkedIn, são fundamentais para quem quer fazer networking?
Carmelina — Eles são apenas uma ferramenta. O Orkut é muito interessante para resgatar pessoas que não vê há muito tempo e conseguir um contato, seja pessoalmente ou por e-mail. O LinkedIn atualiza os movimentos dos executivos. Agora, melhor do que ficar acompanhando os movimentos de um grande amigo pelo LinkedIn é pegar o telefone e marcar um almoço para ter um contato visual, essencial em networking.
Como você estrutura a sua network? Quanto tempo você considera ideal para uma pessoa despender na manutenção de sua rede de contatos?
Carmelina — Minha rede de contatos foi construída ao longo da minha vida. Tenho amigas desde o ginásio, da universidade e dos primeiros empregos. A maioria dos meus contatos está na cidade de São Paulo, mas se você me perguntar o tamanho dela, posso dizer que é de milhares de pessoas, com as quais eu almoço e tenho encontros. Algumas dessas pessoas estão em outros países, inclusive. São pelo menos três contatos por semana com alguma pessoa dessa rede, seja em almoços ou happy hour com gente do mercado. Aos fins de semana, em geral tenho uma festa para ir, mas aí são de contatos da rede pessoal. A minha rede é tão poderosa que se eu mando um e-mail pedindo informação para alguém, o retorno é imediato. É gratificante. Eu tenho uma rede pessoal, composta pela família e por amigos que eu vejo toda semana. De ex-clientes, que são mais de 900, eu procuro mandar e-mails, telefonar, fazer links com outras pessoas, indicar conteúdos interessantes. Mas a construção de uma rede de contatos não é uma receita de bolo. Cada um deve fazer da maneira que achar melhor, por isso não há um tempo ideal para despender em networking.
(Fonte: site Empreendedor - por Carmelina Nickel: E-mail: dbm@dbmconsultoria.com.br)
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