Apesar dos vários anúncios feitos desde a última segunda-feira, os bancos, na prática, não estão reduzindo suas taxas de juros, afirma o professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Alexandre Chaia. "Na verdade, os bancos estão colocando precondições para o cliente poder ter uma taxa mais baixa", disse. A avaliação de Chaia é a de que os bancos estão concedendo limites mínimos de juros para seus clientes especiais. "Nem mesmo Caixa e Banco do Brasil reduziram todas suas taxas de juros linearmente para todo mundo. Reduziu para quem já está lá e para quem vai ser aprovado nas linhas de créditos deles", diz o professor do Insper.
A proposta de Portugal irritou o ministro Guido Mantega, que disse haver todas as condições para que os bancos brasileiros deixem de ser "os campeões do spread". "Ora, se os bancos não tivessem lucratividade, a gente poderia dizer 'vamos mexer nos tributos, reduzir a cunha fiscal, mexer no compulsório'. Mas eles têm margem para aumentar o crédito neste momento, e é necessário que isso seja feito sem mexer em nada", afirmou, à época, o ministro.
Erro
Para Chaia, Mantega errou ao tentar impor aos bancos privados a redução de suas margens, sem aceitar a contrapartida de reduzir os impostos que incidem sobre os lucros dos bancos. "Cerca de 60% dos ganhos dos bancos são do governo, que não quer reduzir o ganho dele. Ele (governo) só quer que as pessoas reduzam a margem de lucro delas. Eu acho até que tem espaço para redução do spread, porque, na verdade, o acionista quer um ganho sobre a taxa básica, que é o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) mais 6%, a média paga pelos bancos", pondera Chaia.
Para o professor, se o governo quer reduzir juros, é preciso chegar a um acordo, em que o governo diminuiria impostos, baixaria a taxa básica de juro e melhoraria o custo de recuperação para diminuir a inadimplência, e os bancos reduziriam parte do lucro. "O que não pode é o governo dizer que quer que reduza porque quer que reduza. O governo está jogando as margens dos bancos para baixo", defende.
'Inconsistência'
De acordo com Chaia, há espaço para reduzir juros, mas o governo precisa fazer sua parte. "Qual sacrifício o governo está fazendo? Ele quer que o sacrifício todo seja do setor privado. Isso é inconsistente", afirmou. "É querer dizer: 'população, os bancos são maus e temos de reduzir a taxa de lucro deles porque eles ganham muito'. Muito e pouco são coisas relativas. Pode-se discutir se os ganhos dos bancos são altos e baixos, existem argumentos e contra-argumentos para isso. Eu acho que há espaço para cortar juros, como, em todo segmento de produção, há espaço para reduzir preços", disse.
"Agora, não pode querer forçar redução de juros por obrigação. Quem tem de decidir isso é o acionista e não o governo. Se o governo quisesse reduzir de verdade, abriria mão de parte do ganho dele nos impostos", diz o professor do Insper.
Fonte:- Agência Estado
Fonte:- Agência Estado

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