CORTE NO JURO ABRE DISPUTA NO CONSIGNADOEm uma clara reação aos recentes cortes de juros promovidos pelos maiores bancos do país, 84 instituições de médio porte entregaram ontem ao Ministério da Previdência uma proposta para reduzir o teto das taxas cobradas nas operações de crédito consignado com aposentados do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). A carta foi levada por Renato Oliva, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que se reuniu ontem com integrantes do Ministério da Previdência, em Brasília.
Hoje, pelas regras do INSS, o valor máximo que os bancos podem cobrar nas operações de consignado é de 2,34% ao mês. A ABBC preferiu não informar qual é sua proposta, mas, segundo o Valor apurou, os bancos médios defendem algo em torno de 2,25% ao mês. Procurado pela reportagem, o INSS apenas confirmou que aconteceu ontem uma reunião em Brasília entre a ABBC e o Ministério da Previdência.
Cabe à autoridade fixar a nova taxa máxima do crédito consignado. De tempos em tempos, seguindo o movimento da taxa básica, a Selic, o governo revê os juros máximos do crédito com desconto direto na folha de pagamento.
"É preciso eliminar o excesso do teto de juro praticado pelo mercado de consignado, mas é importante também preservar a concorrência entre os bancos", diz Oliva, da ABBC. "Taxas muito baixas podem eliminar a concorrência." Segundo levantamento feito pela ABBC, da segunda semana de abril para esta semana, os bancos de médio porte reduziram as taxas do consignado de 7 a 12 parcelas em 11,3%. Nas transações de 60 meses, o corte foi de 3,45%.
Desde que a presidente Dilma Rousseff iniciou uma cruzada pela redução das taxas de juros cobradas nas operações de crédito, a linha de consignado tem sofrido reduções, principalmente entre os bancos públicos. Por ser um mercado que movimenta cerca de R$ 120 bilhões, o crédito consignado está na mira das instituições financeiras. É uma modalidade que corresponde a 59% de todas as operações de crédito pessoal do país.
Uma instituição de médio porte que opera com crédito consignado relatou ao Valor que vem observando a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil ganhando fatias de mercado na média diária de produção de crédito desde o início dos cortes das taxas.
Números divulgados no site do Ministério da Previdência mostram que a Caixa é o banco que opera com a menor taxa para as contratações de consignado de 60 meses, com 1,77% ao mês. Em seguida, vem o BB, com taxa de 1,8%.
Anteontem, o Bradesco anunciou que a partir da próxima semana vai reduzir a taxa de 2,34% ao mês para 2,1%. Entre as instituições privadas, essa é a taxa mais agressiva anunciada até agora, o que pode abrir espaço para uma disputa.
A ABBC também levou ao Ministério da Previdência uma proposta para reduzir o custo de operacionalização do consignado, o que poderia acabar se refletindo em taxas mais magras para os tomadores de crédito. Segundo Oliva, a ideia é utilizar o cartão de benefício dos aposentados como um meio de creditar o consignado, sem ter a estrutura física dos bancos de varejo. Hoje, pelos cálculos de Oliva, hoje isso traz um custo que vai de R$ 10 a R$ 45 por transação, encarecendo o crédito.
Do lado das instituições de grande porte, também existe uma proposta em curso para reduzir a taxa mínima do consignado via cartão de crédito, de 3,3% ao mês para o teto da operação tradicional, que está em 2,34%.
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