BC decreta intervenção no Banco Cruzeiro do Sul
SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central decretou nesta segunda-feira Regime de
Administração Especial Temporária (Raet) no Banco Cruzeiro do Sul por 180 dias
após ter identificado descumprimento de regras do sistema financeiro.
O BC informou em comunicado que foi identificada "insubsistência em itens do
ativo", mas não deu detalhes. A autoridade monetária disse ainda que os bens dos
controladores e dos ex-administradores da instituição foram tornados
indisponíveis.
A decretação foi tomada "considerando o comprometimento da situação
econômico-financeira e a grave violação das normas emanadas do Conselho
Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil", informou a autoridade
regulatória.
O BC também instituiu o Raet pelo mesmo prazo nas empresas do grupo Cruzeiro
do Sul, que incluem Cruzeiro do Sul Corretora de Valores e Mercadorias, Cruzeiro
do Sul DTVM, e Cruzeiro do Sul Companhia Securitizadora de Créditos
Financeiros.
A intervenção foi decretada depois que o Cruzeiro do Sul informou na
sexta-feira que manteve entendimentos sobre "alternativas estratégicas" para
seus negócios.
Por meio do Raet, o BC substitui os dirigentes da instituição por um conselho
de diretores ou por uma pessoa jurídica especializada para corrigir
procedimentos operacionais ou eliminar deficiências que possam comprometer o
funcionamento. Como resultado da intervenção, o BC nomeou o Fundo Garantidor de
Créditos (FGC) como administrador especial da instituição.
O Cruzeiro do Sul detinha no final de 2011 ativos que representavam 0,22 por
cento do total do sistema financeiro e 0,35 por cento dos depósitos, segundo o
BC. As operações estão concentradas em duas agências de São Paulo e Rio de
Janeiro, com mais seis agências em Campinas (SP), Salvador, Recife, Belém,
Macapá e Palmas.
Segundo o BC, intervenções por motivos similares aos do Cruzeiro do Sul foram
decretadas na década de 1990 nos bancos Bamerindus, Econômico e Nacional.
Procurados, representantes do Cruzeiro do Sul não puderam comentar o assunto
de imediato.
ROMBO
O Cruzeiro do Sul foi comprado em 1993 pela família Indio da Costa e no mesmo
ano ingressou no mercado de crédito consignado. Segundo o site da instituição,
atualmente, o banco é parte de 337 convênios de crédito consignado a
funcionários públicos, aposentados e pensionistas no país.
O BC informou que o Raet não afeta o andamento dos negócios do Cruzeiro do
Sul, "que continua a funcionar normalmente, podendo realizar todas as operações
para as quais está autorizado", e que o regime preserva relação de credores e
devedores com a instituição.
Segundo jornais publicaram nesta segunda-feira, o BC teria identificado rombo
acima de 1 bilhão de reais nas contas do Cruzeiro do Sul, com registro de
créditos fictícios no balanço da instituição. A intervenção foi decretada,
segundo jornais, depois de fracassarem negociações para compra do banco pelo BTG
Pactual.
O Cruzeiro do Sul teve prejuízo de 57,9 milhões de reais no primeiro
trimestre, ante lucro de 32 milhões de reais no quarto trimestre de 2011 e de 41
milhões de reais um ano antes.
O banco vendeu mais de 300 milhões de dólares em títulos nos mercados
internacionais no ano passado, mas essa fonte de recursos secou em decorrência
da crise de dívida que atingiu muitos países da Europa.
Na sexta-feira, a ação do Cruzeiro do Sul encerrou com tombo de mais de 15
por cento, para 7,60 reais, depois de ter despencado 25,2 por cento na
quinta-feira, quando jornais publicaram que o BTG estaria negociando a compra da
instituição junto ao governo.
Em outubro, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Morada, com
base em relatório de interventor que apontou situação de insolvência do banco e
violação de regras legais. A liquidação extrajudicial do Morada foi a primeira
feita pelo BC desde o Banco Santos, em maio de 2005, e ocorreu depois que a
autoridade monetária detectou em 2010 fraude em vendas de carteiras do Banco
Panamericano, que acabou vendido ao BTG Pactual.
Fonte:- Agencia Reuters Brasil
Fonte:- Agencia Reuters Brasil
(Reportagem adicional de Luciana Otoni, em Brasília, e Guillermo Parra-Bernal
em São Paulo)
Por Alberto Alerigi Jr.
Por Alberto Alerigi Jr.

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