O governo mantém 'esperança' de que será possível recuperar e
vender o banco Cruzeiro do Sul sem que seja necessário liquidar a instituição
financeira. Por isso, escolheu uma forma de intervenção que não era usada desde
1995 - no caso do Banco Nacional -, para manter a instituição funcionando, mas
com a troca dos administradores.
Outra decisão inédita anunciada pelo governo ontem, quando o
Banco Central formalizou a intervenção, foi colocar o Fundo Garantidor de
Crédito (FGC), uma instituição privada comandada pelos bancos, para administrar
e encontrar solução para o problema. Com essas decisões, além de evitar a quebra
da instituição, o governo quer isolar o socorro ao banco como questão a ser
resolvida pelo setor privado, mas sob a supervisão do BC.
O Cruzeiro do Sul é o sexto banco de médio porte que sofre
intervenção ou é vendido por conta de problemas financeiros desde a crise de
2008, que no Brasil teve impacto mais forte sobre as instituições menores.
O primeiro caso, também o mais emblemático, foi o do
Panamericano, em 2010, com rombo de R$ 4,3 bilhões, causado por um esquema
complexo de fraudes e que poderia ter levado a uma desestabilização de todo o
sistema financeiro. A crise marcou também a estreia do FGC no papel de salvador
de última instância do sistema financeiro.
Depois da ajuda financeira do FGC, o Grupo Silvio Santos vendeu
sua parte no Panamericano para o BTG Pactual, que participou agora da tentativa
de venda do Cruzeiro do Sul.
Casos separados. Apesar dessas coincidências, o governo fez
questão de separar os dois casos. Desde a supervisão iniciada em março no
Cruzeiro do Sul pelo BC, foram encontrados problemas como provisões inadequadas,
créditos não contabilizados, descumprimento de normas e procedimentos, mas que
afetam apenas as empresas do grupo e os fundos dos quais o banco é cotista.
A avaliação é que não há risco para o sistema financeiro, como
havia no caso do Panamericano, que ainda por cima tinha a Caixa Econômica
Federal como acionista. Além disso, conforme nota divulgada ontem pelo BC, o
Cruzeiro do Sul é um banco pequeno e com participação pouco representativa no
sistema.
A escolha do FGC como administrador também contribui para
fortalecer o entendimento de se buscar uma solução de mercado, sem dinheiro
público, como ocorreu em todos os casos anteriores desde o Panamericano.
Nesse período, três instituições em dificuldade foram vendidas.
O primeiro foi o banco Matone, em março de 2011, para os controladores da JBS.
No mês seguinte, o BMG comprou o Banco Schahin, também em dificuldades. Em
dezembro foi a vez do Banco Prosper, comprado justamente pelo Cruzeiro do
Sul.
A única instituição que entrou em processo de liquidação até
agora foi o banco Morada, que sofreu intervenção em abril de 2011 e está em
liquidação desde outubro. O governo avalia ainda que usou o mesmo critério em
todos os casos.
A decisão de ontem deixou indisponíveis os bens de 15
ex-administradores e membros de conselho do Cruzeiro do Sul, conforme determina
a lei, entre eles os ex-controladores Luis Felippe Indio da Costa e Luis Octavio
Azeredo Lopes Indio da Costa. No caso Panamericano, administradores e
controladores também tiveram bens bloqueados ou que foram dados como garantia do
negócio.
Fonte:- O Estado de
Fonte:- O Estado de
O governo mantém 'esperança' de que será possível recuperar e
vender o banco Cruzeiro do Sul sem que seja necessário liquidar a instituição
financeira. Por isso, escolheu uma forma de intervenção que não era usada desde
1995 - no caso do Banco Nacional -, para manter a instituição funcionando, mas
com a troca dos administradores.
Outra decisão inédita anunciada pelo governo ontem, quando o
Banco Central formalizou a intervenção, foi colocar o Fundo Garantidor de
Crédito (FGC), uma instituição privada comandada pelos bancos, para administrar
e encontrar solução para o problema. Com essas decisões, além de evitar a quebra
da instituição, o governo quer isolar o socorro ao banco como questão a ser
resolvida pelo setor privado, mas sob a supervisão do BC.
O Cruzeiro do Sul é o sexto banco de médio porte que sofre
intervenção ou é vendido por conta de problemas financeiros desde a crise de
2008, que no Brasil teve impacto mais forte sobre as instituições menores.
O primeiro caso, também o mais emblemático, foi o do
Panamericano, em 2010, com rombo de R$ 4,3 bilhões, causado por um esquema
complexo de fraudes e que poderia ter levado a uma desestabilização de todo o
sistema financeiro. A crise marcou também a estreia do FGC no papel de salvador
de última instância do sistema financeiro.
Depois da ajuda financeira do FGC, o Grupo Silvio Santos vendeu
sua parte no Panamericano para o BTG Pactual, que participou agora da tentativa
de venda do Cruzeiro do Sul.
Casos separados. Apesar dessas coincidências, o governo fez
questão de separar os dois casos. Desde a supervisão iniciada em março no
Cruzeiro do Sul pelo BC, foram encontrados problemas como provisões inadequadas,
créditos não contabilizados, descumprimento de normas e procedimentos, mas que
afetam apenas as empresas do grupo e os fundos dos quais o banco é cotista.
A avaliação é que não há risco para o sistema financeiro, como
havia no caso do Panamericano, que ainda por cima tinha a Caixa Econômica
Federal como acionista. Além disso, conforme nota divulgada ontem pelo BC, o
Cruzeiro do Sul é um banco pequeno e com participação pouco representativa no
sistema.
A escolha do FGC como administrador também contribui para
fortalecer o entendimento de se buscar uma solução de mercado, sem dinheiro
público, como ocorreu em todos os casos anteriores desde o Panamericano.
Nesse período, três instituições em dificuldade foram vendidas.
O primeiro foi o banco Matone, em março de 2011, para os controladores da JBS.
No mês seguinte, o BMG comprou o Banco Schahin, também em dificuldades. Em
dezembro foi a vez do Banco Prosper, comprado justamente pelo Cruzeiro do
Sul.
A única instituição que entrou em processo de liquidação até
agora foi o banco Morada, que sofreu intervenção em abril de 2011 e está em
liquidação desde outubro. O governo avalia ainda que usou o mesmo critério em
todos os casos.
A decisão de ontem deixou indisponíveis os bens de 15
ex-administradores e membros de conselho do Cruzeiro do Sul, conforme determina
a lei, entre eles os ex-controladores Luis Felippe Indio da Costa e Luis Octavio
Azeredo Lopes Indio da Costa. No caso Panamericano, administradores e
controladores também tiveram bens bloqueados ou que foram dados como garantia do
negócio.
Fonte:- O Estado de São Paulo - Por Eduardo Cucolo

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